O
Homem Vitruvio
Desde a antigüidade
o homem se preocupa com as relações
entre o espaço habitado e o seu próprio
corpo. No século 1 AC, o arquiteto romano
MARCUS VITRUVIUS POLLIO, conhecido como VITRUVIO
, escreveu um tratado completo de arquitetura
em dez livros, chamado DE ARCHITECTURA, onde
estudou as proporções do corpo
e suas implicações métricas.
EUCLIDES, matemático grego do século
3 AC, fundador da Escola de Alexandria, já
denominava de " razão media e extrema
" a divisão de um segmento em duas
parte seguindo uma proporção definida
que foi chamada de Seção Áurea
no século XIX e hoje está presente
em qualquer estudo sobre tamanho e dimensão
relacionado ao corpo humano.
No Renascimento,
LEONARDO DA VINCI, concebeu seu famoso desenho
da figura humana, baseada no homem de Vitruvio,
e em estudos matemáticos envolvendo a
Seção Áurea, imaginando
o homem em harmonia com o universo.
Em 1946, o arquiteto
suíço-francês LE CORBUSIER
(1887-1965), criou um modelo de padrões
de dimensões harmônicas à
escala humana, aplicáveis à Arquitetura
e ao Desenho Industrial, denominado pelo autor
de Modulor.
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Este
modelo fazia a aproximação
entre o sistema métrico empregado
na França e Alemanha e o sistema
inglês, de polegadas, usado na Inglaterra
e Estados Unidos. Assim, o Modulor passou
a determinar alturas e larguras para o
desempenho de várias atividades
domésticas e de trabalho, sendo
largamente adotado por arquitetos e desenhistas
industriais pelo mundo afora. |
A revolta do Quebra-Quilos
A História
Na
época do Império, havia no Brasil
uma grande quantidade de pesos e medidas. Padrões
portugueses conviviam com padrões espanhóis
e ingleses. Além disso, eles variavam
de um lugar para outro. Havia o pão,
de forma cônica, usado para medir o açúcar.
E também a braça, a légua,
a arroba, o côvado, o feixe, a libra,
o grão, o molo, a onça, o quintal
e muitos outros padrões.
Embora toda essa
confusão de pesos e medidas facilitasse
a fraude, a população estava acostumada
a ela desde muitas gerações. Em
1790, os franceses criaram o sistema métrico
decimal, que só entrou em vigor cinco
anos depois, espalhando-se rapidamente pela
Europa.
Em 26 de junho
de 1862, no Brasil, foi aprovada a Lei 1157,
que determinava em seu artigo 1°: “O
atual sistema de pesos e medidas será
substituído em todo o Império
pelo sistema métrico francês, na
parte concernente às medidas lineares,
de superfície, capacidade e peso.”
No entanto, o
novo sistema só entrou em vigor em 1872,
com a promulgação do Decreto Imperial
de 18 de setembro, que estabeleceu como padrão
de medidas o sistema métrico decimal
francês. No entanto, em todo o país,
permaneceram em uso os sistemas tradicionais
de medidas.
Em 1874, a tentativa
de adotar os padrões do sistema métrico
provocou uma revolta popular violenta na Paraíba,
conhecida como Quebra-Quilos.
A revolta, liderada
por João Vieira, conhecido como João
Carga d’Água, irrompeu na serra
de Bodopitá, Vila de Fagundes, no estado
da Paraíba.
Os insurretos
invadiram a cidade num dia de feira, quebraram
as "medidas" (caixas de madeira de
um e cinco litros de capacidade), fornecidas
pelo poder público municipal e usadas
pelos feirantes, e atiraram os pesos dentro
de um açude.
Em setenta e oito localidades,
o povo nordestino associou as novas medidas
do sistema métrico decimal com a cobrança
de novos impostos, que já era abusiva
(havia até o “imposto do chão”
, caso alguém colocasse algum produto
no chão da feira para descansar) e se
rebelou invadindo as Câmaras e destruindo
as medidas e os editais.
Outro motivo de descontentamento
foi a determinação de cobrança
de taxas para o aluguel dos novos padrões
do sistema métrico – balanças,
pesos e vasilha de medidas. Por lei, ficava
proibida a utilização dos antigos
padrões e os novos deviam ser alugados
ou comprados na Câmara Municipal, por
320 réis por carga. Os comerciantes,
por sua vez, acrescentavam ao preço das
mercadorias o valor do aluguel ou da compra
dos padrões, o que encarecia, ainda mais,
os produtos para a população.
A luta revolucionária
se estendeu a outros municípios, envolvendo,
também os estados de Pernambuco e Alagoas
e acabou por ser reprimida, com energia, pelo
governo imperial e governos provinciais.
A Oposição
ao Sistema Métrico
A
adoção do sistema métrico,
que veio substituir a enorme variedade de padrões
e medidas usados há muitas gerações,
foi uma medida correta. Os problemas ocorridos
foram decorrentes do momento e da forma com
que o sistema foi implantado no Brasil.
A população,
que já sofria em função
de crise econômica e social, não
foi devidamente informada, nem esclarecida sobre
o novo sistema, por isso rejeitou-o violentamente.
As pessoas não
entendiam as novas medidas e por essa razão,
não conseguiam conferir as quantidades
nem os preços e desconfiavam que estavam
sendo enganadas. Os comerciantes, por outro
lado, reclamavam da compra e do aluguel dos
padrões. Muitos também ficaram
insatisfeitos porque perceberam que seria mais
difícil fraudar o peso e a medida das
mercadorias, como acontecia anteriormente.
Assim, o sistema
métrico decimal, que representou uma
mudança radical dos padrões de
medida conhecidos, em sua implantação
no Brasil, provocou revolta e foi alvo de muitas
críticas, algumas totalmente infundadas.
Quer
saber mais, visite nossas fontes de pesquisa
e referência:
Livros:
Título: Revolta do Quebra-Quilos
Autor: Hamilton de Mattos Monteiro
Editora Ática www.editoraatica.com.br
Internet:
www.cidadedeareia.hpg.ig.com.br
www.conhecimentosgerais.com.br
www.brazilsite.com.br